Denúncias sobem 500% e serviços lideram assédio moral em Campinas

Reclamações em Campinas subiram 98% nos primeiros oito meses. Comércio aparece na segunda colocação no ranking de casos registrados.

assedio_moralO aumento de 500% na quantidade de denúncias colocou o setor de serviços no topo do ranking sobre casos de assédio moral no trabalho, em Campinas (SP), segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT). O levantamento feito entre os meses de janeiro e agosto aponta 42 ocorrências, valor seis vezes superior aos sete casos registrados no mesmo período de 2011.

Uma das áreas compreendidas é a de telemarketing, onde profissionais reclamam de cobranças exacerbadas feitas pelas empresas. Uma jovem de 27 anos, que prefere não se identificar, conta que trabalha no call center de uma empresa de cosméticos em Campinas (SP) há quatro anos. Ela relata que a supervisora é alvo de três processos por assédio, mas que não inibem a conduta agressiva.

“Ela grita a plenos pulmões que nosso atendimento é um lixo, manda calar a boca. Às vezes o coordenador também nos trata com ‘palavrões’. Só não pedi demissão ainda porque tenho que cuidar do meu filho”, explica.

A jovem diz que as discussões no trabalho são diárias e já ouviu relatos sobre atritos que terminaram em agressão física. “Tempos atrás houve uma greve motivada pelo assédio, além de descontos irregulares no pagamento. Quero entrar com um pedido de indenização”, explica.

Apelidos e ‘metas abusivas’
Responsável por 30% dos casos de assédio moral no trabalho somados pelo município, segundo o MPT, o comércio registrou alta de 59% na quantidade de denúncias. Apelidada pelo chefe de “vovó delícia” e “gostosona”, uma vendedora de uma empresa que comercializa materiais de construção ganhou o direito de indenização de R$ 15 mil por danos morais. O acórdão foi divulgado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) no dia 22 de agosto, após a empresa tentar reduzir o valor da compensação e ter o agravo de instrumento negado.

Bancos

Em greve há cinco dias, os funcionários de bancos públicos e privados em todo o Brasil pedem ocombate ao assédio moral, que estaria associado à exigência de “metas abusivas” pelas empresas.

Informação e direitos
Para a Justiça, assédio moral é todo ato que possa gerar constrangimento ou humilhação para o trabalhador. O advogado Lúcio Niero avalia o aumento das denúncias como positivo, pois seria reflexo do maior acesso das pessoas aos direitos trabalhistas.

“Acredito que logo haverá uma estabilização dos números, seguido de queda. Em relação aos setores, nota-se que as pessoas com menor grau de instrução, geralmente empregadas em serviços e comércio, são alvos mais vulneráveis”, explica Niero. Ele orienta as vítimas a procurarem pela Justiça do Trabalho ou recorrer ao site da Procuradoria Regional do Trabalho da 15ª Região.

Estatística
“É uma conduta muito difícil de ser comprovada e isso desestimula as vítimas. O número de denúncias pode aumentar, a partir do momento em que nós conseguirmos instruir a população, para que ela comprove essa irregularidade”, diz a procuradora do MPT Renata Coelho Vieira.O número de denúncias contra empresas por assédio moral cresceu 98% em Campinas. As 117 ocorrências somadas pelo município em oito meses representam quase o total de registros contabilizados durante todo o ano passado, com 119 reclamações. De acordo com o MPT, entre 2009 e 2011 a quantidade de denúncias subiu 197,5%.

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